sexta-feira, 11 de abril de 2008

MARIA JOÃO - A mais abrangente e "elástica" das vozes Nacionais!

Embora a obra desta senhora seja muito extensa e fenomenal. E eu tenha os originais de boa parte dela, por enquanto só consigo disponibilizar este ultimo álbum (agora a solo, já sem a parceria com o Mário Laginha) Mas tudo farei para complementar este POST com mais alguns, senão todos, dos fabulosos álbuns desta que é, quanto a mim, a melhor voz do nosso panorama musical.
Aconselho uma visita a:
http://www.mariajoao.org/discografia/index.html


«Maria João Monteiro Grancha nasceu em Lisboa, no dia 27 de Junho de 1956, filha de pai português e mãe moçambicana. Da infância guarda imagens dispersas e coloridas de uma África já não tão distante assim. Das férias passadas por lá, do calor, das praias com redes por causa dos tubarões...

A entrada na adolescência revelou o seu espírito rebelde e inquieto. A menina gordinha, de óculos e cabelo encrespado não gostou nada de ser chamada «caixa de óculos» e «Gungunhana» pelos colegas louros e magros do Colégio Inglês, St. Julian School, e aprendeu a defender-se como podia, com um murro aqui e um pontapé ali.

Aos 13 anos, o patinho feio mudou: emagreceu e tornou-se uma mulher!
Descobriu então os rapazes, fugia da escola, não punha os pés nas aulas. Em resultado, passou a aluna interna para o colégio da Bafureira, que nem por isso constituiu obstáculo às fugas. Incontrolável, foi expulsa ou convidada a sair de 5 colégios, para enorme desespero da mãe!

Aikido .... a salvação
Surge então o desporto, a derradeira tentativa... Primeiro a Natação e depois a escola do mestre Georges Stobbaerts, onde saltou do Ioga para o Judo e Karaté, até se encantar pelo Aikido, que, além de lhe incutir regras e disciplina, lhe valeu um orgulhoso cinturão negro. O Aikido mudou-lhe a vida, sendo ainda hoje uma das suas paixões. Praticava intensamente todos os dias da semana e, por essa altura, começou também a dar aulas de natação a crianças autistas, através da Direcção-Geral de Desportos.

A descoberta da música
A música cruzou-se nos seus caminhos sem aviso. Nunca tinha sonhado ser cantora e até nem ouvia muita música. Ouvia o que passava na rádio e gostava muito da cantora Joni Mitchel.

Por estranho que pareça, foi num curso de nadador salvador que Maria João, pela primeira vez, teve noção dos seus dotes vocais, graças a uma colega – Cândida (obrigado Cândida!!), que era cantora e a fez constatar: «eu berro mais que a Cândida!» A Escola de Natação fechou e a praia e a boa vida foram uma hipótese a considerar, até que um amigo guitarrista a convidou a integrar a sua banda rock, como vocalista. Esqueceu-se apenas de avisar que a banda era tão perfeccionista que só ensaiava. Um mês foi suficiente para Maria João dar por finda a experiência.

Hot Club
Em 1982, quando abriram inscrições na Escola de Jazz do Hot Club, o amigo desafiou-a para a audição. Sobre Jazz, Maria João lembrava-se dos CascaisJazz, festival organizado por Luis Villas-Boas, de ter visto o Miles Davis, o Keith Jarrett, o Jean Luc Ponty, a Nancy Wilson! Não percebia nada, mas gostava imenso. Para a audição, escolheu a música brasileira “Cantador”, da autoria de Dori Caymmi, que conhecia na voz de Flora Purim. Ensaiou-a vezes sem conta, mas chegada a audição, os músicos pediram-lhe as partituras. Não tinha, nem tão pouco as saberia ler, por isso, atirou-se a um improviso sobre o clássico de Cole Porter, “Night and Day”. Foi admitida de imediato, sem que tenha chegado a saber se entrou pela espectacularidade do improviso ou porque havia falta de cantores no Hot!

Durante os meses que esteve no Hot Club aprendeu a ouvir, porque para aprender a cantar tem de se saber ouvir. E ouviu muito, as divas do jazz e não só: a Ella (Fitzgerald), a Billie (Holiday), a Elis (Regina) ... apaixonou-se pela Betty Carter, progrediu para o Al Jarreau e outros cantores de vanguarda. Ainda no Hot Club, formou o seu primeiro grupo – Maria João & Friends – e foi também nesses tempos que se estreou em concerto, na abertura de um restaurante. O concerto corria como estava previsto até que, na terceira música, se esqueceu de tudo e teve que improvisar em scat. Um sucesso e uma sensação fantástica, algo assim como voar.

Primeiros tempos
Ainda em 1983 saiu o primeiro disco, Quinteto de Maria João, recheado de standards americanos, entre eles "Blue Moon", popularizado por Billie Holiday. Data também dessa época uma participação no disco de Jorge Palma, Acto Contínuo. Em 1984 foi a anfitriã de um programa televisivo de jazz, no qual foi galardoada com o prémio de revelação do ano.

Já em 1985 subiu ao palco do Festival de Jazz de Cascais, a prova de fogo, de onde saiu com os aplausos do público e da crítica. Cem Caminhos, o segundo álbum com o quinteto, foi lançado nesse ano e inclui 2 poemas musicados de Eugénio de Andrade e clássicos como "Take Five", "Lush Life" ou "My Favorite Things". Arrecadou mais dois prémios, um no prestigiado Festival de Jazz de San Sebastian (Espanha) e o outro atribuído pela Revista Nova Gente, como intérprete feminina do ano.

Em 1986, Maria João aventurou-se numa tournée avassaladora pela Alemanha, num ritmo de 24 concertos em 5 semanas, dados em pequenos clubes de jazz, com direito a cachets miseráveis e noites mal dormidas. Foi também neste ano que saiu o seu terceiro disco, Conversa, lançado pela editora alemã Nabel e já com um novo quinteto.
Num dos concertos da tournée alemã, teve uma espectadora especial que, depois de a ouvir, a convidou para cantar com ela: a pianista japonesa Aki Takase.

Ela e Aki
Aki Takase movia-se no mundo do free-jazz; Maria João cantava ainda muito presa aos standards norte-americanos e o contacto com a pianista marcou a viragem para um estilo e repertório mais seus. Com Aki, Maria João descobriu que é possível fazer tudo!

Largou o quinteto e embarcou pela Europa fora, com a sua voz, com Aki e o piano. Durante 5 anos, enlouqueceram os públicos dos festivais de jazz europeus, arriscando tudo na corda bamba dos improvisos, umas vezes com, outras vezes sem, o contrabaixista Niels Orsted-Pedersen.

Pelo caminho, lançaram dois discos, gravados ao vivo: Looking for Love, em 1987, gravado no festival de jazz de Leverkusen e Alice, em 1990, gravado no Festival de Nürnberg. Em 1990, nasceu o seu filho, João Carlos e a vontade de rumar em outras marés começou a fazer-se sentir em Maria João. Chegava ao fim o ciclo de loucuras com Aki Takase e a cantora regressava à pátria, envolvendo-se num projecto com o grupo português Cal Viva.

Cal Viva
Do Cal Viva faziam parte conceituados músicos portugueses como José Peixoto, Carlos Bica, José Salgueiro e Mário Laginha, e o resultado da colaboração saiu num disco intitulado Sol, em 1991, onde a música tradicional portuguesa e o jazz se fundiram em sons bem originais. Seguiram-se então novas tournées com o grupo, divertidas, mas duríssimas. Do projecto Cal Viva não saiu mais nenhum trabalho discográfico e, no ano seguinte, os desafios foram outros.

Outras experiências
Em 1992, Maria João trabalhou com a cantora Lauren Newton e em quarteto com Christof Lauer, Bob Stenson e Mário Laginha, participando igualmente no Europália e na Expo de Sevilha.
O prestígio alcançado pela cantora, foi, mais uma vez, confirmado no contrato com a famosa editora de jazz, Verve.

Maria João e Mário Laginha
O disco Danças, lançado em 1994, já pela Verve, marcou o início de uma nova fase e de um novo duo, que persiste até hoje, com o pianista Mário Laginha. Após vários anos de projectos comuns com uma zanga feia pelo meio – Laginha fez parte do quinteto inicial, voltando a trabalhar com a cantora em 1991, no grupo Cal Viva – os dois músicos empenharam-se num disco diferente, só com piano e voz.

Seguiram-se-lhe, até 2005, mais 7 discos em conjunto: Fábula, Cor, Lobos, Raposas e Coiotes, Chorinho Feliz, Mumadji (ao vivo), Undercovers e Tralha. A cumplicidade entre Maria João e Mário Laginha tem feito deste encontro um dos mais felizes da música portuguesa, bem comprovado na originalidade e consistência de um duo com mais de dez anos.

Para além dos trabalhos discográficos, João e Laginha têm sido convidados a integrar diversos projectos, com destaque para: o espectáculo “Raízes Rurais, Paixões Urbanas”, encenado por Ricardo Pais, em 1998, onde o fado e a música folclórica e tradicional se cruzavam com a música do duo; a colaboração com a companhia do coreógrafo Paulo Ribeiro, onde temas dos discos Fábula e Cor foram transportados para a linguagem da dança, num espectáculo estreado no P.O.N.T.I, em 1999 e intitulado “Ao Vivo”; a participação na curta-metragem “Canção Distante”, de Pedro Serrazina, no âmbito do Porto 2001 – Capital Europeia da Cultura; o espectáculo “O Movimento do Som. O Som do Movimento”, em 2002, projecto de fusão entre a música e as Artes do Budô (artes marciais japonesas), realizado em conjunto com o Tenchi International, local onde a cantora pratica Aikido.

Colaborações e projectos
À parte do duo que forma com Mário Laginha, Maria João é frequentemente convidada a colaborar com outros músicos de grande prestígio. Em 2001 iniciou um trabalho com o grupo de Joe Zawinul, ex-teclista dos Weather Report, com o qual se apresentou ao vivo, por mais de um ano, em diversos festivais de jazz europeus.

Desde 2003 tem igualmente desenvolvido um interessante trabalho com o quarteto de sopros austríaco Saxofour, com o qual já gravou dois discos: European Christmas, e Cinco.

2003 também lhe reservou uma agradável surpresa: o convite para o cargo de directora da Escola de Música da Operação Triunfo, um concurso televisivo de revelação de novos cantores. O desafio foi aceite com enorme energia por parte da cantora, que se entregou de corpo e alma ao projecto, nas duas edições do programa.

Em 2004 Maria João foi uma das ilustres convidadas do concerto “Gil e os quatro cantos”, do músico e actual ministro da cultura brasileiro, Gilberto Gil. Neste espectáculo, integrado no aniversário da empresa Odebrecht, participaram também Susana Bacca e Paulo Flores.

Já em 2005, o dueto voltou a ser recriado num concerto de Gilberto Gil, em Monsanto, no âmbito das Festas de Lisboa.

No ano passado, a cantora foi convidada pelo guitarrista José Peixoto – amigo e colaborador de longa data – para integrar o disco Pele, com canções da sua autoria e letras de Tiago Torres da Silva. O espectáculo foi apresentado na Casa da Música, no Porto, e na inauguração do Casino Lisboa.»
(TRANSCRITO)

Maria João & Mário Laginha - Beatriz


Em 2007 Maria João lança um trabalho discográfico a solo. “João” é integralmente composto por canções de compositores brasileiros e tem recebido as mais calorosas críticas na imprensa especializada. Aqui vos deixo este ultimo disco. Mais um trabalho maravilhoso desta voz "do outro mundo".


João_2007

01.Retrato em Branco e Preto
02.Partido Alto
03.Rosa
04.E.C.T.
05.Escurinha
06.Canto de Ossanha
07.Valsa Brasileira
08.Dor de Cotovelo
09.Tico-Tico no Fubá
10.No Tabuleiro da Baiana
11.O Silêncio das Estrelas
12.A Outra
13.Choro Bandido
14.Meu Namorado

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Maria João & Mário Laginha(Live at the Purcell Room, London)
15 November_2006

01.Parrots and Lions
02.Preto E Branco
03.Mãos Na Parade
04.Beatriz
05.Há Gente Aqui
06.Cair Do Céu
07.Tralha
08.Un Amor

DOWNLOAD PART1
DOWNLOAD PART2

Maria João e Mário Laginha - Undercovers_2002

01.Maria João & Mário Laginha - Black Bird
02.Maria João & Mário Laginha - Cantiga (Caicó)
03.Maria João & Mário Laginha - Charles On A Sunday With Sunday Clothes
04.Maria João & Mário Laginha - Corazón Partió
05.Maria João & Mário Laginha - Este Seu Olhar
06.Maria João & Mário Laginha - From Both Sides Now
07.Maria João & Mário Laginha - God Only Knows
08.Maria João & Mário Laginha - Lately
09.Maria João & Mário Laginha - Love Is The Seventh Wave
10.Maria João & Mário Laginha - O Marco Marciano
11.Maria João & Mário Laginha - O Quereres
12.Maria João & Mário Laginha - Take Me Home
13.Maria João & Mário Laginha - Tom Traubert's Blues
14.Maria João & Mário Laginha - Unravel
15.Maria João & Mário Laginha - Wake Up Dead Man
16.Maria João & Mário Laginha – We’ll Be Just Beginning

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PASSWORD:amrao

Maria João, Mário Laginha_2001
Maria João (voice), Mário Laginha (piano), Toninho Ferragutti (accordion), Helge Norbakken (drums and percussion): collectively known as "Mumadji"
London Jazz Festival + Atlantic Waves 2001
Purcell Room
Saturday, 10th November_2001

Part One
01 introduction for BBC World Service "Jazzmatazz" (Alan Shipton)
02 em tão pouco tempo escureceu tanto
03 preto e branco
04 um choro feliz
05 asa branca
06 announcements & band credits
07 há gente aqui
08 un amor

There was a short break here to change tapes. I think I have only lost some applause. I have kept the two halves as separate files for the benefit of those wishing to burn to CD.

Part Two
09 várias danças
10 applause "more, more" etc.
11 a lua partida meio

DOWNLOAD PART1
DOWNLOAD PART2
DOWNLOAD PART3

Maria João, Mário Laginha_1998
Maria João (voice), Mário Laginha (piano), Miroslav Tadic (guitar), Marcelo Doctor (percussion)
Oris London Jazz Festival
Royal Festival Hall
Wednesday, 11th November_1998


(Maria was support act to John McLaughlin.)

01 introduction
02 Charles on a Sunday with Sunday Clothes
03 preto e branco
04 saris e capulanas
05 asa branca
06 announcements & band credits
07 várias danças

DOWNLOAD PART1
DOWNLOAD PART2

INFO

Cor_1998

1. Horn Please
2. Há Gente Aqui
3. Rafael Ou a Cor de Mocambique
4. Nazuk
5. Saris E Capulanas
6. Preto E Branco
7. Charles on a Sunday With Sunday Clothes
8. Nhlonge Yamina
9. Forbidden Love Affair

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Maria Joäo & Mário Laginha(Live London International Jazz Festival
Royal Festival Hall)
19th November_1995

01 introduction
02 O vos omnes
03 Fábula
04 Coisas da Terra
05 Saudosa Maloca
06 Várias Danças

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Maria João e Mário Laginha - Tralha (Aula Magna)

10 comentários:

music_lover disse...

thanks!

Phil disse...

Pesaroso, mas mim não fale o português. Eu estou usando Babelfish para traduzir. Perdoe por favor todo o erro. Está aqui uma gravação audio de um concerto por Maria em Londres em 15 novembro 2006.
http://philsbootlegs.blogspot.com/2008/11/maria-joo-mrio-laginha-15-november-2006.html

Sério Baralho disse...

Thanks, Phil! Thank you very mutch!
You have better portugais, than I have inglish. :)
Obrigado, Phil! Muito obrigado!
Tens melhor português, do que eu tenho inglês.
Big hug!
Grande abraço!

Phil disse...

Está aqui outro. Isto era a primeira vez que eu vi Maria.
Eu tenho cassetes áudio para dois mais concertos por Maria. Eu espero ter as ligações de transferência logo.
Natal feliz!

Here is another one. This was the first time I saw Maria.
I have audiotapes for two more concerts by Maria. I hope to have download links soon.
Happy Christmas!

http://philsbootlegs.blogspot.com/2008/12/maria-joo-mrio-laginha-19-november-1995.html

Sério Baralho disse...

Thanks, Phil! You are the best...!
Happy Christmas, to you!

Phil disse...

E outro…

http://philsbootlegs.blogspot.com/2008/12/maria-joo-mrio-laginha-11-november-1998.html

Está aqui o programa:

http://rapidshare.com/files/176923573/John_McLaughlin_198-11-11_programme_scans.rar

Phil disse...

Olá! Sério,

E está aqui outro, esta vez de um concerto no " Purcell Room", Londres em 11 novembro 2001. Os trechos do concerto, incluindo uma entrevista com Maria e Mário, eram transmissão no serviço do mundo da BBC em 24 novembro 2001. Eu incluí uma ligação de transferência à gravação da transmissão. Mas o serviço do mundo da BBC é ouvintes ultramarinos visados, assim que a recepção não é boa no Reino Unido e a qualidade do som é um pouco pobre.

Aquele é todo para agora, até que Maria visite Inglaterra outra vez.

Ano novo feliz!
Phil

Hi Sério,

And here is another, this time from a concert in the Purcell Room, London on 11 November 2001. Excerpts from the concert, including an interview with Maria and Mário, were broadcast on the BBC World Service on 24 November 2001. I have included a download link to recording of the broadcast. But the BBC World Service is aimed at overseas listeners, so reception is not good in the UK and the sound quality is rather poor.

That is all for now, until Maria visits England again.

Happy New Year!
Phil

http://philsbootlegs.blogspot.com/2008/12/maria-joo-mrio-laginha-10-november-2001.html

Sério Baralho disse...

Thanks, Phil!
Once again, thank you very mutch!
And, a Happy New Year, to you, too!
Big hug!

Nuno disse...

Olá! Dá para renovar o link do album "João"? Cumps

Sério Baralho Simpson disse...

Olá, Nuno.

Lamento mas a resposta é não.

:(